quinta-feira, agosto 25, 2011

sussurras
desejos sem culpa
e eu
já não sei mais
quem sou

quinta-feira, agosto 11, 2011

inerte
tuas mãos-
destino
relutam-me
multidão

sábado, junho 25, 2011

quem me encena
menino enraizado ao tempo
paisagem fragmentada
sob uma armadura feita de sonhos
[esvai-se]
quando parte a madrugada

sexta-feira, abril 08, 2011

foram tiros no rosto e antes
, gritos.
era um jovem recluso, disseram.
[escutava vozes ao seu redor?]
mas agora é preciso sair de casa
porque temos medo
porque temos culpa
porque somos indiferentes ao sofrimento dos outros.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

a lonjura do tempo
rouba-me a beleza
músculo após músculo
como se soubesse
aquilo que destina a mim 

sábado, dezembro 25, 2010

é só mais um dia a ser contabilizado
sem deus
sem o diabo
sem você

quinta-feira, dezembro 02, 2010

há um silêncio
preso aqui

nele, busco refúgio
antes que amanheça

e a certeza crua do outono
reviva a esperança que jaz em mim

terça-feira, outubro 12, 2010

escuto o homem que não sou
aproximar-se de mim
[destinando quem serei]
eu,
que sempre me soube rascunho...

quinta-feira, agosto 12, 2010

.
há versos meus entranhados nessa cidade
mas eu não os tenho
devorado que sou pela pressa dos arranha-céus daqui

onde meus ossos viram esquinas
minha pele, asfalto ao meio-dia
dos meus olhos restando o abrir e fechar das portas dos trens do metrô

mas é só mais um dia seguido de outro dia,
atravessando-nos indistintos
nós, que somos todos comuns
indiferentes
e civilizados
[eis nossa beleza]

venham...
sirvam-se de mim,
restituindo-me o homem
outrora sonhos, febre e nanquins.

sábado, agosto 07, 2010

eu disse-nos dor
porque amor
é coisa não dita
que é pra crescer sem medo
[como se fosse nascido do ar]

quarta-feira, junho 23, 2010

deixaram a casa vazia
os filhos lá dentro
já não tinham mais motivos para brincar
ou bênçãos para protegê-los do que viria
deixaram tudo pra trás

sexta-feira, maio 14, 2010

atravessaria o tempo
imune
ou estancaria-o
eu imagem de mim dentro dos teus olhos
mas você não
(preferiu acreditar-me velho demais para teus sonhos que ainda não sabes,
enrugarão)

tudo não passa de escolhas
descrenças
solidão
ou fé

quinta-feira, abril 08, 2010

ela disse maracatu
e que estava cansada
de mim
.
eu gritei chagall
mas analisavas formas e cores
com os pés presos ao chão
.
ela estremece quando o vê
e descobre na carne
o verbo desejo
.
eu inventaria outro mundo
só pra ter você de volta
ao meu
.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

infância é deus ao avesso
matéria feita de tardes poentes
infância é mesmo deus refeito
que louco se mistura ao andorinhar

terça-feira, janeiro 26, 2010

[velho, sou um velho]
não trago comigo sabedoria
apenas memórias amarelecidas
porque roubei-as de quem amei

quarta-feira, janeiro 13, 2010

houvesse tempo outro
e teus olhos que hoje me faltam
não teriam sido
tão pouco

sábado, novembro 21, 2009

amanhecer com um gosto de sol
primaverado entre os dentes
fazia dela meu amanhã
[horizonte a ser rompido]

domingo, outubro 25, 2009

tempestasse a tristeza
[saberia]
há um fim em si mesmo
há um fim a cada dia

sábado, setembro 12, 2009


nas tessituras de um frágil voo
eclipsada por um céu-nanquim
mergulha-se poente a andorinha

domingo, agosto 23, 2009

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protejo-me. é inverno. existe uma distância intransponível ao chegar esta estação. você desce. eu sigo. e nós não nos encontraremos mais.
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