eis: a vida seria minha, no que passou só que chegamos tarde, eu e os demais depois: silêncio.
quarta-feira, setembro 12, 2007
não há sentimento que caiba
no limiar do abandono
nem ilusão que baste
às entranhas do que ficou
sexta-feira, agosto 24, 2007
sussurro costurado aos ossos
é isso, a imaginação
de quem olha àquele homem na janela, desmemoriado
e só.
segunda-feira, agosto 13, 2007
descaminharei
por outras andanças
frágil ausência
porque longe de ti
domingo, julho 29, 2007
bebemo-nos dos erros nus até
os ossos.
quarta-feira, julho 11, 2007
o que resta de nós migalhas desses nós é o que somos quando somamos o eu ao tu e continuamos
sós
domingo, junho 24, 2007
o som do nascente nas cores desse adeus é paisagem que fica na felicidade que se esvai
segunda-feira, junho 04, 2007
sangro a madrugada
num grito oco
na pele arranhada
suma de mim.
quinta-feira, maio 24, 2007
descrevo
inúteis imagens
no esvaziamento
de mim mesmo
sábado, maio 12, 2007
arrefecia às margens do rio mergulhado em estrelas,
limiar da solidão
sexta-feira, abril 06, 2007
quando escasso poluo palavras pinto poesias
ao inverso
sábado, março 17, 2007
talvez seja tarde esse azul que do céu se desfez em teus olhos nus.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
a escassez do teu céu sonhou-te escapar ao arrebol
terça-feira, fevereiro 06, 2007
atravesso cores antes não visitadas: é a crueza da noite descoberto o frio
terça-feira, janeiro 30, 2007
destranque aquela gaveta retire as palavras que foram esquecidas sobreponha-as aos teus olhos de menino descalço mais uma pirueta e serás poesia
segunda-feira, janeiro 15, 2007
um grito fez-se estrela alcançando o infinito
quinta-feira, dezembro 21, 2006
pássaro aceita o céu: tela desnuda nas minhas retinas
sexta-feira, dezembro 08, 2006
porque meu ódio nutre porque eu escarro a presença de ti porque eu finjo indiferença porque eu rendo-me pateticamente ao teu amor e quando chega a madrugada
soprando frases baldias
tu aqui não estás e tu aqui não voltarás
a vida desfigurada: você escolheu um caminho
(amor em rota de colisão)
quarta-feira, novembro 22, 2006
o futuro não visto eu soube nas asas dum anjo sem sono
ou cores para sonhar
sábado, novembro 11, 2006
azul porque nada mais cabe na descrença de nós (abraçados ao medo somos dois ecos no mesmo lugar)