sexta-feira, agosto 24, 2007

sussurro costurado aos ossos
é isso, a imaginação
de quem olha àquele homem na janela, desmemoriado
e só.

segunda-feira, agosto 13, 2007

descaminharei
por outras andanças
frágil ausência
porque longe de ti

domingo, julho 29, 2007

bebemo-nos
dos erros
nus
até
os ossos.

quarta-feira, julho 11, 2007

o que resta de
nós
migalhas desses
nós
é o que somos
quando somamos
o eu ao tu
e continuamos
sós

domingo, junho 24, 2007

o som do nascente
nas cores desse adeus
é paisagem que fica
na felicidade que se esvai

segunda-feira, junho 04, 2007

sangro a madrugada
num grito oco
na pele arranhada
suma de mim.

quinta-feira, maio 24, 2007

descrevo
inúteis imagens
no esvaziamento
de mim mesmo

sábado, maio 12, 2007

arrefecia
às margens do rio
mergulhado em estrelas,
limiar da solidão

sexta-feira, abril 06, 2007

quando escasso
poluo palavras
pinto poesias
ao inverso

sábado, março 17, 2007

talvez seja tarde
esse azul que do céu
se desfez em teus olhos
nus.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

a escassez do teu céu
sonhou-te
escapar ao arrebol

terça-feira, fevereiro 06, 2007

atravesso cores
antes não visitadas:
é a crueza da noite
descoberto o frio

terça-feira, janeiro 30, 2007

destranque aquela gaveta
retire as palavras que foram esquecidas
sobreponha-as aos teus olhos de menino descalço
mais uma pirueta e serás poesia

segunda-feira, janeiro 15, 2007

um grito
fez-se estrela
alcançando
o infinito

quinta-feira, dezembro 21, 2006

pássaro aceita o céu:
tela desnuda nas minhas retinas

sexta-feira, dezembro 08, 2006

porque meu ódio nutre
porque eu escarro a presença de ti
porque eu finjo indiferença
porque eu rendo-me pateticamente ao teu amor
e quando chega a madrugada
soprando frases baldias
tu aqui não estás
e tu aqui não voltarás





a vida desfigurada: você escolheu um caminho
(amor em rota de colisão)

quarta-feira, novembro 22, 2006

o futuro não visto
eu soube nas asas
dum anjo sem sono
ou cores para sonhar

sábado, novembro 11, 2006

azul
porque nada mais cabe
na descrença de nós
(abraçados ao medo
somos dois ecos no mesmo lugar)

sexta-feira, outubro 27, 2006

para Luzzsh
girassóis
não sonham cores
adormecem
enraizados no vento

segunda-feira, outubro 23, 2006

o cheiro da morte
faz da saudade
um lugar difícil de estar